Hoje partilhamos uma arte centenária com especial foco na cidade da Lagoa.
Com a abertura das primeiras fábricas de cerâmica na Lagoa, em 1862, alguns dos seus funcionários iniciam a produção de bonecos de presépio em oficinas domésticas tornando-se os primeiros bonecreiros do concelho lagoense. Nesse processo, assumiu um papel de destaque a figura tutelar do artista bonecreiro Luís da Luz Gouveia, que influenciado por intelectuais que integravam o movimento regionalista – nomeadamente o etnógrafo Armando Côrtes-Rodrigues, o etnólogo Francisco Carreiro da Costa e o pintor Domingos Rebelo – introduz quadros regionais no presépio. É nesse contexto que a religiosidade do povo açoriano, expressa nas romarias quaresmais, nas procissões e nas festas do Espírito Santo, bem como as vivências rurais, passaram a integrar os temas patentes nos presépios produzidos localmente.