O tempo quaresmal nos Açores, mais precisamente na ilha de São Miguel, caracteriza-se essencialmente pelas romarias quaresmais, as quais já contam com quase 500 anos desde a sua realização pela primeira vez, sendo este um ato de fé único e característico desta ilha.
As romarias quaresmais são um grande exemplo de manifestação religiosa na ilha de São Miguel que demostram a enorme fé do povo açoriano. Estas romarias tiveram origem nesta mesma ilha, em meados do século XVI, época em que a mesma sofria seguidos abalos de terra, inclusive em 1522, Vila Franca do Campo, primeira capital da ilha, sofreu um violento terramoto, soterrando toda a vila. Na sequência desta catástrofe, a população, atormentada, viu na fé um refúgio para socorrer a todo este sofrimento e dificuldades que passavam. Sendo assim, a partir desta data foram muitos os homens micaelenses que se reuniam em pequenos grupos e começaram a percorrer algumas igrejas de devoção à Virgem Maria, na ilha de São Miguel em peregrinação, como promessa e agradecimento a Deus. Estas romarias prevaleceram com o passar dos anos até aos dias de hoje, passando de geração em geração, multiplicando-se por toda a ilha, onde ranchos de romeiros, de todas as localidades de São Miguel, durante o tempo da Quaresma, percorrem a ilha em oração, parando nas igrejas de devoção a Nossa Senhora e pernoitando nas casas daqueles que decidem acolher um romeiro.
Com a emigração, as romarias quaresmais micaelenses, que recentemente também se começaram a expandir por outras ilhas do arquipélago dos Açores, não foram esquecidas por aqueles que partiram. Deste modo, assiste-se à criação de alguns grupos e ranchos de romeiros na Diáspora, sobretudo nos EUA e Canadá, os quais têm a mesma iniciativa de continuar esta importante tradição religiosa, quer seja lá, nas comunidades portuguesas, quer seja cá, em São Miguel, com a vinda de ranchos de romeiros sobretudo de Toronto à ilha, os quais também fazem a sua peregrinação, constituindo-se como um Rancho de Romeiros Emigrantes ou integrando Ranchos micaelenses, que nunca esqueceram as suas raízes e quanto muito a sua Fé.
Last modified: 7 de Abril, 2022




