A MULHER AÇORIANA EMIGRANTE

8 de Março, 2022

Hoje, 8 de março, celebra-se o Dia internacional da Mulher, uma figura incontornável da História que sempre lutou pelos seus direitos independentemente dos desafios que enfrenta.

Nos Açores, a mulher sempre desempenhou um papel fulcral na vida da população, assim como na sua emigração. Através dos tempos e dos destinos da emigração açoriana, a mulher acompanhou, quer fosse de perto ou de longe, todo o processo de mudança e procura que a migração humana implica. Muitas das vezes, foram elas que impulsionaram a saída das ilhas, para bem dos filhos e da família.

Família da-freguesia da Maia no Aeródromo de Santana. Anos 1950. -Foto Laudalino da Ponte.

O facto de deter o tradicional papel de acompanhar a educação dos filhos, levou a mulher emigrante a atingir níveis de aculturação notáveis, fazendo dela exemplo de vida. Ao emigrar, a mulher açoriana deparou-se com o isolamento do dia-a-dia, enquanto dona dona-de-casa e também, no caso dos destinos não lusófonos, deparou-se com uma nova língua e cultura que lhe eram obstáculos, porém não foram motivos para desistir. Muitas até conseguiram prosseguir os seus estudos e carreiras.

Com o passar do tempo, muitas donas de casa emigradas, habituadas ao trabalho doméstico diário, procuraram trabalho remunerado na limpeza e outros serviços, nas fábricas e no comércio. Para estas mulheres, a emigração ofereceu uma maior oportunidade e a possibilidade de atingirem uma nova vida.

Fazendo linguiça à moda antiga- Coleção de Alzira Neves Simas
Três gerações de mulheres açorianas. Coleção de Alzira Neves Simas

A mulher emigrante dos Açores assumiu e continua a assumir uma posição importante na manutenção e transmissão dos aspetos fundamentais da cultura açoriana, desde as receitas típicas e as práticas culinárias, às festividades religiosas e tradições populares, onde sempre participou activamente, através das diversas festas e manifestações culturais típicas açorianas.

Havia muito mais para dizer sobre a Mulher Açoriana que Emigrou, uma mulher corajosa que não teve medo de enfrentar os desafios impostos pela escolha de uma nova vida, a qual sempre foi dedicada e trabalhadora, colocando em primeiro lugar a sua família e os seus filhos.

Família Açoriana. Autor desconhecido
Mulheres imigrantes em 1953. Coleção de Alzira Neves Simas

Estes excertos informativos foram retirados do estudo sobre a Mulher Emigrante dos Açores, da autoria de Rosa Neves Simas. Rosa Simas, é uma mulher açoriana, natural da ilha do Pico que muito deu à comunidade açoriana da Diáspora e Açores como professora e investigadora. Emigrou em criança com os seus pais para a Califórnia, onde cresceu, estudou e leccionou. É doutorada em Literatura Comparada pela Universidade da Califórnia, desde 1990. Durante a sua vida profissional organizou e participou em eventos e projetos, assim como publicou trabalhos sobre Estudos Comparados e temáticas centradas como a Mulher, a Migração, o Ensino, o Ambiente e tradução. Dentro da temática da Mulher, Rosa Simas publicou em 2003 e 2008, a colectânea bilingue de 6 volumes “A Mulher nos Açores e nas Comunidades”, no seguimento do Colóquio “A Mulher nos Açores e nas Comunidades”, do qual foi mentora, realizado em 2001 na Universidade dos Açores.

Antologia "A Mulher nos Açores e nas Comunidades"
Encontro A Mulher nos Açores e nas Comunidades, em 2001. Foto de Roberto Medeiros
Cartaz do Encontro de 2001. Foto de Rosa Neves Simas

Em 2021, a AEAzores para comemorar o dia da Mulher a 8 de Março, mas também para celebrar os 20 anos da realização desse colóquio e homenagear Rosa Simas, realizou um Encontro com algumas mulheres residentes nos Açores e nas comunidades para ver e ouvir as suas experiências.

A todas as mulheres dos Açores de Mil Ilhas e de todo o mundo, um Feliz Dia da Mulher!

Encontro Mulher nos Açores e nas Comunidades, em 2021, organizado pela AEAzores
Encontro Mulher nos Açores e nas Comunidades, em 2021, organizado pela AEAzores e, homenagem a Rosa Simas

Last modified: 8 de Março, 2022

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