Memórias de Madre Aliviada da Cruz

10 de Setembro, 2021

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“Em que parte da vida deste convento entra a música? A leitura? O cultivo das artes? A contemplação das árvores? O encontro com o mar? Em que parede desta casa está inscrito o infinito? Estamos obrigadas à bondade? Que devemos fazer aos pensamentos lascivos? Em que lugar desta casa devemos abandonar a vontade de homem? Quem esventra porcos, cabritos e vitelos? É permitido manter o coração no peito, ou temos de o deixar lá fora? Quem veste as irmãs defuntas de uma casa onde a Fé se apalpa, se excita, aviva, adormece e morre? Porque razão têm as gavetas um só puxador? O padre, que rezou a missa há pouco, visita na intimidade as irmãs? Com que frequência as luas nos pintam de sangue as pernas? Em que lugar deste convento sacrificam as crianças nele nascidas? O que fazer às penas das asas dos pássaros caídos no jardim? Quem cava o quintal? Que castigo reservam às irmãs que violam noviças? O pecado da masturbação é igualmente punido, se o coadjuvante tiver sido colhido na horta? A quem cabe enfeitar de flores a capela? As irmãs mortas por solidão são enterradas no mesmo cemitério que recebe o corpo das que morrem sifilíticas? Concluindo. Deus chamou-me a esta casa para nela me santificar! Para que se cumpra a vontade de Deus, preciso que a irmã me responda a todas as dúvidas colocadas.”

Last modified: 7 de Fevereiro, 2022

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