SÃO MIGUEL, PALCO DE DIVERSOS EPISÓDIOS HISTÓRICOS

A ilha de São Miguel, também conhecida por «ilha verde», segundo antigas cartas náuticas europeias do século XIV, foi descoberta entre 1427 e 1439 por Gonçalo Velho Cabral, um navegador português sob o comando do grande descobridor Infante D. Henrique. Após o seu achamento, São Miguel tornou-se numa capitania única com a ilha de Santa Maria, de modo a contribuir para uma melhor administração destas ilhas, sendo Gonçalo Velho Cabral o seu donatário.

Paisagem da Vista do Rei, Sete Cidades, Ponta Delgada
Representação de uma antiga carta náutica dos Açores

 

 

Estátua em homenagem a Gonçalo Velho Cabral, em Ponta Delgada

 

O seu povoamento iniciou-se na década de 40 do século XV, logo após sua descoberta, tendo sido a atual vila da Povoação a primeira a ser povoada e posteriormente a atual Vila Franca do Campo, a qual atraiu muitos povoadores devido à sua planície à beira mar. Os seus primeiros povoadores eram homens nobres que procuravam oportunidades de riqueza, as quais seriam possíveis através do serviço a um senhor poderoso. Assim, os primeiros povoadores e senhores da ilha de São Miguel, que trouxeram muita gente para esta ilha, eram oriundos das regiões alentejanas de Portugal, bem como do Algarve e Madeira, havendo ainda alguns estrangeiros, sobretudo franceses, como o caso de Gonçalo Teve Paim.

Graças à sua posição geográfica e fertilidade, a ilha de São Miguel desenvolveu-se rapidamente a nível económico, o qual assentava na agricultura e pastorícia, sendo estas umas das principais atividades que vigoraram ao longo dos séculos até aos dias de hoje. A partir de oitocentos, a economia proporcionou bons momentos de prosperidade à ilha graças à exportação da laranja que permitiu muitos contactos com o estrangeiro, dando início ao ciclo da laranja, o qual recebeu enormes melhorias com a intervenção de importantes figuras da elite micaelense, como José do Canto, que contribuíram para a sua expansão.

 

José do Canto, figura importante da elite micaelense, impulsionador na cultura da laranja e do chá em São Miguel.

 

No século XVI, a donataria que agrupava as duas ilhas orientais (Santa Maria e São Miguel) deixou de existir, passando a haver capitanias em todo o arquipélago, em que São Miguel também passa a constituir uma capitania separada da ilha de Santa Maria, sendo a sua capital Vila Franca do Campo, que até 1522 concentrava todos os serviços e maior número de população. Porém, após essa data (1522) a ilha de São Miguel sofreu um violento terremoto que destruiu a sua capital, sendo que a partir daí foi a povoação mais próxima, Ponta Delgada que se tornou na nova capital.

Portas da Cidade, Ponta Delgada

 

No século XVII, já a ilha de São Miguel possuía uma posição considerável a nível do país, sendo que, na centúria anterior foi palco da Batalha Naval da Vila Franca, batalha travada durante o período do domínio filipino entre franceses e espanhóis e portugueses. Após 1640, com a Restauração da Independência em Portugal, a ilha de São Miguel, após ter sido palco de guerra e batalhas, recuperou a sua posição como centro comercial, assim como as suas relações que aumentavam com o exterior, como o caso do Brasil, para onde enviou muitos colonos.

Batalha Naval da Vila Franca, século XVI

 

No século XIX, São Miguel volta a ser um local de grande importância, sobretudo durante a Guerra Civil portuguesa (1828-34), onde ocorreu a batalha da Ladeira da Velha, na zona norte da ilha, entre as tropas miguelistas e as tropas liberais, de onde saem vitoriosos os liberais. No âmbito deste episódio da história portuguesa, D. Pedro IV, liberal, imperador do Brasil e outrora rei de Portugal que defendia o reino em favor da sua filha Maria da Glória, preparou um exército para combater contra os absolutistas, o qual embarcou com destino ao Mindelo, partindo da Calheta Pêro de Teive, em Ponta Delgada.

Placa sobre a história da batalha da Ladeira da Velha, Miradouro de Santa Iria, Ribeira Grande

 

Lugar da Ladeira da Velha.

 

Calheta Pêro de Teive, Ponta Delgada

 

Num contexto mais recente, é importante referir a importância da ilha de São Miguel durante a Primeira Guerra Mundial, sobretudo o acontecimento de bombardeamento a que Ponta Delgada esteve sujeita de um submarino alemão que se encontrava atracado na doca, o qual foi repelido pela peça de artilharia que estava no Alto da Mãe de Deus. Após este susto, em Ponta Delgada foi instalada uma base naval americana, durante o período da guerra.

 

Doca de Ponta Delgada durante a Primeira Guerra Mundial

 

Ermida da Mãe de Deus, Ponta Delgada

 

Atualmente, São Miguel é a ilha açoriana com mais população e um centro político-administrativo com maior dinâmica, possuidor de variados serviços e sede do Governo Regional dos Açores.

Publicado a 18 Janeiro, 2021