Romarias açorianas nos EUA

Um xaile pelos ombros, um lenço ao pescoço, uma cevadeira às costas,um terço e um bordão na mão. É a indumentária do romeiro. Aquele penitente que percorre as caminhos e veredas da ilha de São Miguel. Agrupam-se em ranchos, que durante uma das semanas da Quaresma fazem penitência. Rezam por eles e pelos outros. Visitam todas as igrejas onde haja exposta a imagem da Virgem Maria. É através da Mãe que querem chegar ao Filho. Isto acontece na vida real. Este grupo de crentes e penitentes, foi inicialmente conhecido por visitas às Casinhas de Nossa Senhora e com origem nos terramotos e erupções vulcânicas. Fall River, “capital da açorianidade nos EUA”, tal como o disse Carlos César na qualidade de convidado às Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, foi o berço de mais esta tradição junto da igreja do Espírito Santo. Podem ser grupos de 30, 40 ou mesmo 300. O máximo é atingido em Sexta-Feira Santa, quando cerca de 300 ou mais percorrem a velha cidade dos teares. Saem da igreja do Espírito Santo, com 114 anos de existência. Param na igreja de São Miguel com 116 anos de idade e já na caminhada
de regresso param na igreja do Senhor Santo Cristo, com os seus bonitos 126 anos. Como se depreende, estamos no
seio de presenças centenárias e históricas a acolher a romaria. As romarias iniciaram-se junto da igreja do Espírito Santo, em Fall River. Começaram a ramificar-se por outras comunidades. E assim acontece a 10 de Março a
Romaria da Nova Inglaterra.

 

FONTE: Diário dos Açores. Artigo de Augusto Pessoa

Publicado a 12 Março, 2018