Malassada Day no Hawaii

A maior surpresa de qualquer português que visite as ilhas do Hawaii são os hábitos alimentares, a popularidade da portuguese kale soup, do portuguese sweet bread, da portuguese sausage e outros paladares familiares. O clássico breakfast havaiano é arroz cozido, dois ovos estrelados e rodelas de linguiça frita. Este matabicho pode ser saboreado nos IHop e McDonald’s havaianos, mas não é servido em mais nenhum estabelecimento destas cadeias de restaurantes. Nada disto acontece por acaso. Devido à necessidade de mão-de-obra nas plantações de cana de açúcar e ananás durante o século XIX, o governo havaiano deu os contratos de trabalho favoráveis aos trabalhadores dos Açores e da Madeira que já estavam familiarizados com aquelas tarefas nas suas ilhas atlânticas. (…)
O governo do Hawaii pagava a passagem aos imigrantes portugueses e às suas famílias e assegurava emprego por um ano. Como europeus, os portugueses eram tratados de maneira diferente dos asiáticos, recebiam um acre de terra, casa e melhores condições de trabalho na hierarquia das plantações. Eram frequentemente contratados como lunas (capatazes) e, sendo europeus, também se tornaram elegíveis para a cidadania americana quando o Hawaii se tornou território dos EUA, em 1898, ao contrário dos chineses e japoneses. A emigração portuguesa para o Hawaii começou com um grupo de 120 madeirenses que chegaram a Honolulu no dia 29 de setembro de 1878 a bordo da barca Priscilla. (…)
A influência portuguesa na cultura havaiana é enorme e basta folhear as listas telefónicas para nos apercebermos: uma boa parte dos havaianos tem apelido português. É comum encontrar pessoas com nome tipicamente havaiano (Kapua, Lahela, Ka’ahumanu, entre outros) e cujo apelido é português (Carvalho, Pereira, Silva, Arruda, etc.). (…)
O propósito é dar a conhecer Portugal através do caldo verde, da alcatra, do polvo guisado e do bacalhau cozido com todos. O legado gastronómico português no Hawaii é fabuloso. A massa sovada é consumida em toda a parte, inúmeras padarias e restaurantes cozem as suas próprias fornadas produzindo dos tradicionais pães aos pãezinhos do tamanho de um hambúrguer que os havaianos adoram e podem ser encontrados em qualquer mercearia de todas as ilhas. A massa sovada tornou-se tão popular que as pessoas já não se referem a ela como portuguese sweet bread, passou a ser hawaiian sweet bread. (…)
As malassadas são também populares no Hawaii e vendem-se em toda a parte. A Padaria Leonard (de Frank Leonard Rego) abriu em 1952 na Kapahulu Avenue, em Honolulu, e conquistou clientela com as suas malassadas com sorvete, “quente por fora e frio por dentro”, segundo a publicidade. Hoje, as malassadas havaianas são arredondadas, a lembrar bolas de Berlim, e com mais de 30 recheios diferentes. A enorme popularidade das malassadas deu origem a que o dia 8 de março é o Malassada Day no arquipélago e uma tradição saborosa em todas as ilhas. Malassada até tem o direito a festivais no Hawaii. O Punahou Carnaval Malassada começou em 1951, em Huakilau, e num dia vende mais de 300.000 malassadas fritas por perto de 500 padeiros. Em Honolulu realiza-se a Mini Maratona da Malassada para adultos e crianças e que tem lugar na base aérea Hickam em Pearl Harbor. Os competidores têm que correr mais de cinco milhas. No final, estoirados, têm de comer seis malassadas. Vence quem acabar as malassadas primeiro. E é aqui que o gato costuma ir às filhoses. Eurico Mendes.
Fonte: Diário Açores dia 12 de abril 2018

Publicado a 12 Abril, 2018