ILHA GRACIOSA, A «MAIS BEM ASSOMBRADA»

A ilha Graciosa, situada no grupo central do arquipélago dos Açores foi a última ilha central a que os portugueses chegaram, a qual, segundo a obra de Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, possuiu este nome por ser a «mais bem assombrada», isto no sentido de espantadíssima, bela e graciosa, tal como o próprio nome indica, comparativamente às restantes ilhas.

Vila de Santa Cruz da Graciosa, 1915

 

É desconhecida a data exata do seu descobrimento, contudo, devido à proximidade das ilhas centrais, a ilha Graciosa era avistada das ilhas Terceira e São Jorge, sendo que na primeira metade do século XV já tivera sido explorada. O seu povoamento iniciou-se na segunda metade de quatrocentos, por ordem do capitão donatário das ilhas, Infante D. Henrique, cujos primeiros povoadores vieram do interior de Portugal Continental, para além de que a presença de escravos nesta ilha também se fez sentir, nos primórdios do povoamento.

À semelhança das outras ilhas, a Graciosa também sofreu ataques de piratas e de corsários, durante os séculos XVI e XVII, que causaram grandes dificuldades à população que vivia num sobressalto. No entanto, face a estas adversidades, os habitantes da ilha Graciosa foram capazes de se estabelecerem nesta ilha, assim como o seu sustento, segurado pela agricultura, pecuária e vinha, propiciadas pelos seus terrenos férteis. Tal situação, que nos dias de hoje ainda é visível, reforçada pela produção de lacticínios, que mantém a imagem de ruralidade da ilha.

Terrenos cultivados na freguesia do Guadalupe, ilha Graciosa, 1960
Criação de gado, ilha da Graciosa

 

Ao longo da história, por esta ilha passaram algumas personalidades de destaque que estão relacionadas com diversos acontecimentos históricos do país, nomeadamente, o padre António Vieira, no século XVII, aquando do naufrágio do navio onde viajava, que se deu ao largo da ilha do Corvo, tendo ficado alojado na ilha Graciosa por um determinado período de tempo. Almeida Garrett, um grande escritor e dramaturgo romântico português, também terá passado pela Graciosa.

Padre António Vieira, orador da Companhia de Jesus e missionário, autor do «Sermão de Santo António aos peixes», o  qual foi referido no Maranhão, no Brasil
Almeida Garrett, escritor e dramaturgo do romantismo português

 

Atualmente, a ilha Graciosa conta com cerca de 4301 habitantes, apesar de ser um número reduzido, esta ilha não deixa de assumir a sua posição no arquipélago ao acompanhar as restantes ilhas. Organizada administrativamente por um concelho, Santa Cruz da Graciosa, sendo este dividido por 4 freguesias, a Graciosa consegui desenvolver a sua economia ao longo dos anos, a qual não assenta somente na agricultura, mas também no setor turístico, que acaba por ter um grande impacto económico na ilha, devido à atração de visitantes pela sua beleza natural.

Publicado a 11 Fevereiro, 2021