A emigração portuguesa suas origens e distribuição

Emigração

Embora tratando-se de um tema que nas últimas décadas tem sido largamente aprofundado, desejamos, com este ensaio, dar mais um contributo para o melhor conhecimento da sociedade portuguesa contemporânea, através do estudo de um dos elementos que melhor a caraterizam: o fenómeno emigratório.

Razão porque nos empenhámos nesta análise, procurando através das notas sobre a evolução e a antiguidade deste movimento, avaliar da sua extensão às diferentes áreas do território num período recente, mas que coincidiu com uma intensa fase de emigração portuguesa: o de 1955 a 1974.
Ainda que abarcando os dados referentes às saídas ditas oficiais – e desprezando por isso uma parcela significativa de clandestinos – pensamos que a sua divulgação permitirá, juntamente com a de outras variáveis, aprofundar as razões determinantes, de natureza social e económica, responsáveis pela sua génese – e, ainda, situar a origem de certas comunidades radicadas em diferentes países do continente europeu, da América e do Sul de África. Do mesmo modo, esperamos que venha ajudar a compreender certas manifestações de índole cultural, apresentadas como genuinamente portuguesas, mas de raízes bem diversas, se provenientes do Minho ou dos Açores, das Beiras ou do Alentejo, do Algarve ou da Madeira. Regiões que, a par da sua individualidade geográfica, têm vindo a perder um número crescente de habitantes, manifestando, nalguns casos, preferências muito significativas.