Santa Maria

HISTÓRIA

Há quem atribua a Diogo de Silves o primeiro contacto português com a ilha, provavelmente em 1427. Outros defendem o nome de Gonçalo Velho Cabral, navegador e freire da Ordem de Cristo, como revelador da terra, em 1431. Quase certo é que Santa Maria terá sido o contacto inicial com o arquipélago açoriano, constituindo o primeiro esforço de povoação insular, por volta de 1439, altura em que o capitão-donatário Gonçalo Velho e um grupo de colonizadores fixam amarras na Praia dos Lobos. O ingresso de novas famílias provenientes de Portugal Continental, principalmente do Algarve e Alentejo, contribui para o desenvolvimento de Santa Maria, de tal forma que a localidade do Porto é a primeira nos Açores a receber o foral de vila. A economia local assenta então no cultivo do pastel, planta tintureira da qual se extrai um corante azulado, utilizado para tingir têxteis na distante Flandres; na produção de trigo, base essencial da alimentação da época; e na extracção de barro, utilizado para a produção de loiças e telhas.

Em 1493, acostam a Santa Maria as naus de Cristovão Colombo, no regresso da primeira viagem de descoberta da América. Os desembarques de outros navios estrangeiros serão mais ferozes durante os séculos XVI e XVII, época de sucessivas pilhagens da ilha por corsários ingleses, franceses, turcos e árabes do Norte de África. Em 1616, vive-se sob ocupação moura durante quase uma semana. Segundo a lenda, parte da população refugia-se na Furna de Santana para fugir aos saques, incêndios, torturas e raptos. Também em 1675, piratas mouros regressam em força à baía dos Anjos e, quando partem, levam prisioneiros para vender como escravos.

Passado o fulgor das exportações para a indústria têxtil, os séculos XVIII e XIX são marcados pelo fomento das culturas da vinha, trigo, milho, pomares de fruta, batata e inhame, a par da pecuária e dos lacticínios. Apesar dos tempos calmos, a economia de subsistência da ilha convida parcelas da população à emigração. O século XX traz outra dinâmica e progresso, sustentados na construção do aeroporto. Iniciada em 1944, à força de milhares de braços americanos e açorianos, a estrutura era considerada estratégica pelos Estados Unidos na luta anti-submarina da Segunda Guerra Mundial. Findo o conflito bélico, o aeroporto veste fato civil e transforma-se em escala dos aviões que atravessam o Atlântico. Em finais da década de 1960, os novos jactos com maior autonomia de voo deixam de tocar em Santa Maria. No entanto, mantém-se intacto o papel de grande centro de controlo do tráfego aéreo sobre o Atlântico. Actualmente, os Serviços são a base da economia, seguidos das actividades agro-pecuárias e piscatórias.

GEOGRAFIA

A ilha de Santa Maria estende-se por 16,6 quilómetros de comprimento e 9,1 quilómetros de largura máxima, ocupando uma superfície de 97 km2, onde habitam 5 552 pessoas (dados de 2011). Santa Maria integra o Grupo Oriental do arquipélago dos Açores, juntamente com São Miguel, ilha da qual dista 81 quilómetros. O ponto mais elevado da ilha, aos 587 m de altitude, está situado no Pico Alto, a 36°58’59’’ de latitude norte e 25°05’26’’ de longitude oeste.

GASTRONOMIA

Da terra nasce um dos pratos mais simbólicos de Santa Maria: o Caldo de Nabos é confeccionado com uma espécie local de nabo, pequeno e de cor escura. Na água, além do tubérculo cozem-se carne de porco, entremeada, chouriço e batata-doce. O caldo é despejado num prato, em cima de fatias de pão, e os restantes ingredientes apresentados numa travessa à parte.

Na doçaria, abundam as receitas locais. As tigeladas são comuns na restauração, mas ganham tipicidade as cavacas, os suspiros, os melindres, os encanelados e os biscoitos de orelha, assim designados pelo seu formato.

A meloa criada na ilha tem ganho fama e estatuto gourmet ao longo do tempo. Nos enchidos artesanais, destaca-se a existência de uma Alheira de Santa Maria.

Ilha de tradição vinícola, entretanto muito abandonada, ainda tem famílias a produzirem vinho de cheiro das uvas crescidas dentro de cerrados de pedra cinzenta, para consumo essencialmente doméstico. A aguardente e os licores de frutos também têm fama e tradição.

FESTIVIDADES

Tal como nas restantes ilhas, as Festas do Espírito Santo animam Santa Maria de Abril até ao verão. Mas é em agosto que a ilha ganha novas cores e vivacidade. A animação começa com o Rali de Santa Maria, já com tradição no calendário das competições automobilísticas.

A meio do mês, surge a Festa da Nossa Senhora da Assunção, padroeira da ilha. A Vila do Porto centraliza um conjunto de actividades, com cerimónias de índole religioso de mãos dadas a arraiais, concertos, feiras de artesanato e gastronomia.

A chegada da Maré de Agosto culmina o mês de folia. Este festival dedicado à world music já conta com uma reputação internacional e atrai visitantes de várias paragens para ouvir música durante a noite e descansar na praia durante o dia.