Faial

HISTÓRIA

Presume-se que o descobrimento português da ilha terá ocorrido após o mapeamento da Terceira. O seu nome terá sido inspirado na abundância de faias-da-terra encontrada. Os primeiros povoadores oficiais, de origem flamenga e portuguesa, deverão ter chegado por volta de 1465, realizando uma primeira expedição em busca de estanho e prata, mas que não teve êxito. Dois anos depois, o nobre flamengo Josse Van Huertere regressa ao Faial e, atraído pela fertilidade dos solos, torna-se capitão do donatário português em 1468. Sob autorização real de D. Afonso V, traz novos colonos da Flandres que habitam o Vale dos Flamengos antes de se instalarem na Horta.

Os estrangeiros introduzem o cultivo do pastel na ilha. As exportações da planta tintureira e de trigo representam, durante dois séculos, os esteios da economia faialense. A ocupação espanhola em 1583 e os ataques dos corsários, principalmente franceses e ingleses, marcam um período de delapidação do património e riqueza da ilha. A erupção vulcânica de 1672-1673 também provoca elevada destruição na zona noroeste da ilha.

A bonança do século XVII, após a Restauração, surge em forma de porto de abrigo. A Horta transforma-se num entreposto da navegação entre a Europa e o continente americano, devido às condições da sua baía e à valorização da exportação do vinho produzido na ilha do Pico. Este, a par do vinho e aguardente originários das uvas de São Jorge e Graciosa, é comercializado para o reino, Europa e colónias britânicas. No século XVIII, a ilha também participa no ciclo de produção e exportação da laranja, fonte de enriquecimento do arquipélago. O porto da Horta vive uma época dourada, servindo de escala de abastecimento para os vapores que cruzam o Atlântico e para a frota baleeira norte-americana.

Em meados do século XIX, doenças infestantes dizimam vinhedos e laranjais no espaço de uma década. Mas graças à sua localização, a ilha transforma-se num centro nevrálgico de telecomunicações. A transmissão de informações entre a América do Norte e a Europa efetua-se por cabos telegráficos submarinos amarrados na cidade da Horta, cuja rede inaugural data de 1893. Sucessivamente, diversas companhias internacionais instalam cabos submarinos que ligam os continentes com passagem pela ilha. De igual modo, o Faial ganha dimensão logo no início do século XX, com a conclusão da construção do Observatório Meteorológico na Horta, em 1915.

A aviação também aproveita a posição privilegiada do Faial, escala dos primeiros hidroaviões que atravessam o Atlântico Norte, tendo o primeiro passado pela Horta logo após o final da I Guerra Mundial, em 1919. Na década de 1930 e 1940, as importantes companhias de aviação alemã, britânica, francesa e norte-americana escolhem a ilha como local de amaragem dos respetivos hidroaviões.

O aproveitamento desta benesse geográfica manteve-se até aos nossos dias. A marina da Horta, inaugurada em 1986, é um dos portos de abrigo mais famosos do mundo. Com a instituição do modelo autonómico, a cidade da Horta tornou-se sede do Assembleia Legislativa Regional dos Açores e acompanhou as alterações económicas regionais, desenvolvendo o setor terciário, em detrimento dos demais.

GEOGRAFIA

Com 19,8 quilómetros de comprimento e 14 quilómetros de largura máxima, os 173,1 km2 da área do Faial apresentam um contorno grosso modo pentagonal. É a terceira ilha mais habitada do arquipélago, com 14 994 residentes (dados de 2011). A ilha do Faial integra o Grupo Central e é o vértice mais a Oeste das chamadas “ilhas do triângulo”, em conjunto com São Jorge e a ilha do Pico, da qual dista 6 km. O ponto mais elevado da ilha, aos 1043 m de altitude, está situado no Cabeço Gordo, na zona da Caldeira, a 38°34’34’’ de latitude norte e 28°42’47’’ de longitude oeste.

GASTRONOMIA

O polvo guisado com vinho, comum a muitas ilhas do arquipélago, é um dos pratos mais típicos do Faial. Na mesa, a importância marítima alastra para o caldo de peixe e a caldeirada. Pão e bolo de milho são acompanhamentos preferenciais. Nas carnes, morcelas e linguiças servem de petisco ou como refeição, quando servidas acompanhadas de inhame. A receita da molha de carne confia em especiarias como a pimenta, cominhos e canela para temperar o generoso refogado em que se coze a carne de vaca.

Na doçaria, são típicas as Fofas do Faial: os bolinhos de massa aromatizada por sementes de funcho cozem no forno antes de serem recheados com um creme à base de gemas de ovos, leite, açúcar, farinha e raspa de limão.

FESTIVIDADES

O dia 24 de junho assinala uma festa são-joanina originária dos tempos de colonização da ilha por fidalgos vindos da Terceira. A romaria movimenta filarmónicas de toda a ilha até ao Largo Jaime Melo, onde está situada a ermida erguida pelos nobres devotos de São João. Concertos musicais, bailes folclóricos, desfile de marchas populares marcam o dia festivo, caraterizado pelas famílias e grupos de amigos que levam farnéis para comer ao ar livre ou param nas tasquinhas para apreciar os petiscos da gastronomia local.

Embora a Festa do Espírito Santo também tenha tradição no Faial, a grande manifestação religiosa da ilha é a Festa de Nossa Senhora das Angústias. Procissão e festejos populares enchem as ruas da Horta no sexto domingo após a Páscoa, numa celebração que remonta ao tempo do povoamento e a uma imagem trazida da Flandres. A 1 de fevereiro de cada ano a Câmara Municipal da Horta cumpre um voto secular, com procissão e preces na igreja de Nossa Senhora da Graça, na Praia do Almoxarife. Esta tradição remonta a 1718 quando o povo se encheu de temores com a erupção vulcânica que decorria em Santa Luzia, na ilha do Pico.

Em agosto, o azul do mar domina as festividades. No dia 1, para comemorar a Festa da Senhora da Guia, um cortejo de embarcações escolta a imagem da Virgem desde o areal de Porto Pim até ao porto da Horta. A animação prossegue com a Semana do Mar. Inicialmente dedicada aos iatistas, esta semana de festa é agora partilhada por faialenses e visitantes. O extenso programa de atividades envolve espectáculos musicais, exposições de artesanato, feira de gastronomia, regatas de botes baleeiros e diversas provas desportivas de modalidades aquáticas que animam as baías da Horta e de Porto Pim.