Corvo

HISTÓRIA

O avistamento do Corvo pelo navegador português Diogo de Teive terá ocorrido em 1452, na mesma altura em que as Flores foram descobertas. Devido à dimensão, o pequeno território não desperta grandes atenções por parte dos povoadores dos Açores. O estado natural quase puro é quebrado em meados do século XVI, quando o capitão-donatário Gonçalo de Sousa envia um grupo de escravos para o Corvo, provavelmente oriundos de Cabo Verde, com a tarefa de se dedicarem ao cultivo da terra e criação de gado. Por volta de 1580, um contingente de colonos vindos das Flores aumenta a população local.

A vida no Corvo decorre serena, pautada pelos ritmos da agricultura, pesca e pecuária, de forma a garantir a subsistência da comunidade. Mas ao contrário do pressuposto, o posicionamento geográfico da ilha permite-lhe ultrapassar o seu expectável isolamento. De facto, o Corvo define a linha fronteiriça que reúne as Armadas portuguesas que para aí se dirigem para receber as naus oriundas dos vários pontos do Império português e espanhol e, a partir dai, acompanhá-las em segurança até à Europa continental.

Por isso, o isolamento quebra-se no final do século XVI e durante todo o século XVII, muitas vezes pela frequente chegada de corsários e piratas em busca de saque e reféns. No Corvo, encontram valorosa resistência, sendo histórica a derrota sofrida em 1632 pelos piratas oriundos da Barbária, no norte de África. A população recorre ao arremesso de pedras para rechaçar a invasão. Reza a lenda que os corvinos tiveram ajuda na dura e desigual batalha por parte da padroeira Nossa Senhora do Rosário, que “desviava todos os tiros mandados pelos piratas e devolvia-os, multiplicados, para os barcos dos mouros, conseguindo pô-los em desbarate”. Desde então, a santa fica conhecida por Nossa Senhora dos Milagres.

A bravura dos habitantes do Corvo é novamente demonstrada em 1832, quando um grupo de corvinos se dirige à Terceira, para pedir o alívio do pesado tributo pago ao donatário da ilha e à Coroa. O ministro do rei D. Pedro IV, Mouzinho da Silveira, que se encontrava a organizar a luta liberal a partir de Angra, mostra-se impressionado com a escravidão vivida pelos corvinos. Propõe a anulação do imposto em dinheiro e redução para metade o pagamento em trigo. No mesmo ano, a povoação é elevada a vila e sede de concelho, passando a denominar-se Vila do Corvo.

Os séculos XVIII e XIX trazem os baleeiros americanos até à costa das ilhas do Grupo Ocidental. Alguns corvinos são recrutados para a caça ao cachalote e ganham reputação como corajosos arpoadores. Em 1864, o Corvo tem quase 1100 habitantes, mas o decréscimo populacional será, desde então, cada vez maior. Entre 1900 e 1980, o Corvo passa de 808 habitantes para 370, diminuição esta provocada principalmente pela emigração para os Estados Unidos e Canadá.

A inauguração do aeródromo do Corvo, em 1983, será crucial para a modernização das estruturas do Corvo. Em 1991, o estabelecimento de rotas áreas regulares com as Flores, Faial e Terceira promove a plena integração da ilha na dinâmica do Arquipélago. A atividade agro-pecuária, centrada na criação de gado bovino, é a atual trave mestra da economia local.

GEOGRAFIA

A menor ilha dos Açores tem 6,24 quilómetros de comprimento e 3,99 quilómetros de largura máximos. A sua superfície ovalada e alongada segundo uma direção norte-sul ocupa uma área de 17,1 km2 sendo habitada por 430 residentes (dados de 2011). O Corvo constitui o Grupo Ocidental do Arquipélago em conjunto com a ilha das Flores, que está a uma distância de 17,9 quilómetros. O ponto mais elevado da ilha, aos 720 m de altitude, está situado na zona do Estreitinho, a 39°41’58’’ de latitude norte e 31°06’55’’ de longitude oeste.

GASTRONOMIA

A gastronomia local assenta principalmente na frescura dos produtos retirados ao mar e colhidos da terra, com especial destaque para o peixe e o marisco.

O pão de milho produzido localmente é acompanhamento para pratos típicos como as tortas de “erva do calhau”. Esta erva é uma espécie de alga marinha apanhada nas rochas junto à beira-mar, da qual se retira a água salgada. Depois de quebrada e cortada, é adicionada a ovos batidos e farinha para moldar pequenos bolinhos. Compostas as tortas, fritam-se em banha.

Na receita das couves da barça, também conhecida por couve e marrã, demolham-se as carnes de porco em salga na véspera da confeção. Cozidas juntamente com couve picada, batata, cebola e alho, servem-se com batata-doce e pão de milho.

Muito apreciado, o queijo artesanal do Corvo tem cura mínima de 60 dias. De pasta semi-dura e cor amarelada, tem sabor persistente, com ligeiro toque picante.

FESTIVIDADES

Apesar da reduzida população, a Festa do Espírito Santo mantém-se viva em torno do colorido império da Vila do Corvo, datado de 1871. A 15 de agosto, arraial e cerimónias religiosas unem-se para as comemorações em torno de Nossa Senhora dos Milagres. Integrado na festa da padroeira da ilha, o Festival dos Moinhos junta bandas de outras paragens à filarmónica local, para um par de dias cheios de animação. O encerramento das festas de Verão, já em setembro, está guardado para o arraial que sucede à procissão em louvor a Nossa Senhora do Bom Caminho.