URUGUAI

uruguai

O Uruguai é um dos países mais pequenos do continente americano, com fronteiras com o Brasil e a Argentina. Outrora, era apelidado de Suíça da América do Sul devido à prosperidade e à neutralidade que usufruía. Também já foi comparado à Atenas antiga, pelo flagrante paralelismo com uma cidade-Estado — uma grande urbe rodeada por vastas quintas. Na realidade, metade dos mais de três milhões de habitantes do país vive na capital, Montevideu.

Os cerca de 200 mil agricultores do país alimentam esses mais de milhão e meio de habitantes de Montevideu, cultivando vinhas, pomares, arrozais, olivais e pomares de citrinos. O resto do país está entregue aos gaúchos (vaqueiros), que trabalham nas grandes quintas.

A qualidade de vida da maioria dos uruguaios é uma das mais altas da América Latina.

La República Oriental del Uruguay originalmente significa a república a leste do [rio] Uruguai e é geralmente traduzida em Português como República Oriental do Uruguai. A etimologia do nome do rio homónimo, que vem da língua guarani, é incerta, mas o significado oficial é “rio dos pássaros pintados”.

 

Território

O Uruguai tem uma área de 176.215 km² e está dividido em 19 departamentos.

População

A população do Uruguai é de 3.351.016 habitantes, segundo a estimativa oficial para 2016. A origem étnica maioritária é de origens europeias – espanhóis (54%), italianos (22%) e minorias de outros países – num total de 88% da população. Os mestiços são 8% e os afro-uruguaios 4%. A população indígena é praticamente inexistente.

A esperança média de vida é de 76 anos para as mulheres e de 69 anos para os homens.

Em novembro de 2007, o Uruguai tornou-se o primeiro país latino-americano e o segundo das Américas (depois do Canadá) a reconhecer a união civil de pessoas do mesmo sexo.

Capital

Montevideu

Clima

O Uruguai tem um clima temperado, relativamente ameno e bastante uniforme em todo o país. As variações sazonais são pronunciadas, mas temperaturas extremas são raras. Em Montevideu variam entre 6º e 14º C, em julho, e 17º e 28º C, em janeiro.

Como seria de esperar, com a sua abundância de água, alta humidade e neblina são comuns num país sem montanhas e, por isso, vulnerável a ventos fortes e mudanças bruscas de tempo, tempestades que varrem o país.

 

Sistema político

O Uruguai é uma república democrática representativa – parlamentar, com duas câmaras: Senado (99 membros que representam os 19 departamentos, eleitos com base na representação proporcional) e Câmara de Representantes (com 31 membros, dos quais 30 são eleitos por um mandato de cinco anos por representação proporcional e pelo vice-presidente, que a preside) -, com um sistema presidencialista. Os membros do governo são eleitos para um mandato de cinco anos por um sistema de sufrágio universal.

O Uruguai é um Estado unitário: justiça, educação, saúde, segurança externa, política e defesa são administradas em todo o país.

O poder executivo é exercido pelo presidente e por um gabinete de 13 ministros.

 

Economia

As principais produções são gado bovino e ovino, trigo, arroz, milho. A indústria extrativa é forte em ametistas, topázios e mármore.

A actividade económica está fortemente assente na agricultura, transformação de carne, curtumes e artigos de cabedal, lã e têxteis, cimento, pesca, turismo e refinação de petróleo.

As principais exportações são carne e derivados da mesma, couros, lãs, têxteis, peixe e marisco.

O Produto Interno Bruto (PIB) é de 55,5 mil milhões de dólares americanos (estimativa de 2014), o que corresponde a um PIB per capita de USD $16.332.

O Uruguai não tem ouro nem prata e, atualmente, dada a inexistência de jazidas de petróleo e gás natural, as outras fontes de energia assumiram grande importância, nomeadamente, as centrais hidroeléctricas em Palmar e Salto Grande.

Nos anos recentes, o Uruguai investiu forte no desenvolvimento do uso comercial de tecnologias e tornou-se o primeiro exportador de software da América Latina.

Em 1991, o Uruguai foi país fundador do Mercosul, mercado económico e aduaneiro do qual fazem parte também o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

 

História

Durante a maior parte do séc. XX, o Uruguai teve governos democráticos, um Estado-Providência generoso e um elevado nível de vida. Contudo, nas últimas décadas, o Uruguai não tem sido exceção entre a generalidade das nações latino-americanas, com uma economia periclitante, greves, guerrilha urbana, governo militar, hiperinflação e violações dos direitos do Homem.

A prosperidade foi o resultado da riqueza do solo do Uruguai e do seu clima temperado. Nove décimos do território do país são propícios à agricultura, mas só 10% são cultivados. No resto das suas onduladas terras pastam manadas de gado bovino e rebanhos de ovinos.

Em 1903, José Batlle y Ordonez assumiu a presidência deste país devastado pela guerra civil, por várias invasões — antes de se tornar independente da Espanha, em 1828 — e por uma guerra com o Paraguai. Durante o seu governo as exportações aumentaram muito, enriquecendo o país. Elas financiaram a instauração da democracia e a edificação do primeiro Estado-Providência do continente.

Esta prosperidade atraiu ao Uruguai numerosos imigrantes, principais responsáveis pela verdadeira revolução demográfica sofrida pelo país durante o séc. XIX. Até 1850, vieram sobretudo da Espanha, da Itália e da França. Em 1830, o Uruguai contava com 70 mil habitantes, em 1875 possuía 450 mil e em 1900 atingiu um milhão.

A prosperidade durou até meados do séc. passado, altura em que se instalou a recessão. As receitas das exportações da carne, lã e couros começaram a diminuir a partir de 1945 e, de 1960 em diante, foram poucos os anos em que se registou crescimento económico. Na década de 1960, a inflação atingiu a taxa anual de 50%, o nível de vida desceu e os uruguaios deixaram de poder pagar as importações a que se tinham acostumado.

O descontentamento provocou greves generalizadas e o aparecimento de um movimento de guerrilheiros urbanos, os Tupamaros, recrutados entre a juventude da classe média de Montevideu. Este movimento esquerdista, perfilhando ideias
anarquistas, foi responsável, entre outros atos, por raptos de políticos e industriais para obtenção de resgates. A incapacidade demonstrada pelo governo na luta contra os Tupamaros levou os militares a tomarem o poder em 1973.

O Uruguai ganhou nova fama como o país com o maior número de presos políticos per capita. Com efeito, em 1976, havia no país 4.700 presos políticos.

Porém, o governo militar não conseguiu resolver a crise económica que foi, ainda, agravada pela recessão mundial. Em 1984, a inflação subira em flecha, o desemprego atingia mais de 15% e a dívida externa elevava-se a 5500 milhões de dólares.
Os militares, face a uma oposição generalizada, “lavaram as mãos” dos problemas do país. No meio de grande regozijo geral, 2 milhões de uruguaios foram às urnas em 1984, pondo termo a dois anos de ditadura militar e restauram a democracia no país. No entanto, poucos meses depois de terem entregue o poder ao presidente Júlio Sanguinetti (que governou entre 1985 e 1990), dirigente do Partido Colorado, de feição liberal, os militares faziam já ameaças veladas de um novo golpe, caso o governo civil perdesse o controle do país.

 

Informações gerais

Símbolos nacionais

As cores da bandeira são o branco e o azul, em listas horizontais, apresentando um sol dourado na extremidade superior esquerda, que é a parte mais famosa da bandeira uruguaia.

A extensa letra do hino uruguaio, adotado aquando da independência perante o Brasil (25 de agosto de 1825), é de Francisco Acuña de Figueroa, também autor da letra do Hino do Paraguai. A música é de Francisco José Debali.

Moeda

Peso uruguaio (UYU)

Religião

Os Católicos são maioritários (46%) mas há uma elevada percentagem de não religiosos (30%) e ateus (14%). Os Protestantes (2%) e outros Cristãos totalizam 9% e os Judeus (1%) são uma minoria ínfima.

Idiomas

O Castelhano é a língua oficial. O Inglês é comum no mundo dos negócios. No entanto, é ainda uma língua minoritária, como o Francês, o Italiano, o Alemão e o Português, este falado na região norte, perto da fronteira brasileira.

O Uruguai é um dos poucos países não lusófonos em que o ensino da Língua Portuguesa é obrigatório. O Português é ensinado a partir do 6.º ano de escolaridade.

Educação/Alfabetização

O sistema educativo oficial é laico, gratuito e obrigatório a partir dos 4 anos e até aos 18. O índice é muito elevado, atingindo os 97%.

Em 2009, Uruguai tornou-se o primeiro país do mundo a oferecer um computador portátil a cada aluno da escola primária.

Transportes

O Porto de Montevideu, com mais de 1,1 milhões de contentores por ano, é o terminal mais avançado da América do Sul. O país possui 122 aeroportos. O Aeroporto Internacional de Carrasco, com um investimento de 165 milhões de dólares, foi inaugurado em 2009 e pode lidar com até 4,5 milhões de passageiros por ano. A rede ferroviária tem cerca de 1.600 km. A maior parte das mercadorias é transportada por via rodoviária nos 78 mil quilómetros de estrada, 7.750 dos quais pavimentados.

 

Emigração Açoriana para o Uruguai

A presença açoriana no Uruguai remonta ao ano de 1763, quando o general espanhol D. Pedro de Cevallos fundou a cidade de San Carlos com um grupo de 140 famílias de Açorianos feitas prisioneiras e levadas da vizinha brasileira Vila do Rio Grande (Rio Grande do Sul).

A emigração açoriana para o Uruguai foi a única que não foi programada pela coroa portuguesa.

A presença açoriana no Uruguai manifesta-se ainda hoje em diversas dimensões socioculturais daquele país da América do Sul e em instituições como a Casa dos Açores mas também através de milhares de uruguaios descendentes de açorianos, entre os quais se destacam cinco Chefes de Estado do Uruguai, incluindo o anterior Presidente da República, José Mijuca.