BERMUDAS (Reino Unido)

bermuda

Bermudas, ou Ilhas Bermudas, é um arquipélago, território autónomo dependente do Reino Unido, localizado no Oceano Atlântico Norte, a leste de Cape Hatteras (Carolina do Norte, EUA). O grupo é formado por cerca de 150 pequenas ilhas (das quais apenas 20 são habitadas), ilhotas e rochedos, com uma área total de 53 km².

De entre as vinte ilhas habitadas, as mais importantes são a Bermuda (ou Grande Bermuda), que é a maior (23 km² de área), Somerset, Ireland, Saint George’s, Saint Davis e Boaz.

Território

As Bermudas estão divididas em nove condados, abrangendo 53 km². As áreas destes condados são aproximadamente iguais, rondando os 3.3 km². Os condados (“parishes”) são: Devonshire, Hamilton, Paget, Pembroke, Sandys, Smith’s, Southampton, Warwick e St. George’s.

Geologicamente, as ilhas Bermudas são de origem vulcânica, cobertas por formações de corais. A abundância de recifes e de lagoas originadas pelos corais nota-se bem na parte norte, este e sul das ilhas. A ligação entre as ilhas faz-se pelos inúmeros canais existentes.

As principais lagoas são Harrington Sound e Castle Harbour.

As Bermudas são cobertas por uma vegetação densa, muito rica em algumas espécies de plantas, como o famoso cedro das Bermudas, bambu, palmeiras, papaia e inúmeras plantas florais.

População

Segundo o censo de 2003, as Bermudas têm 64.482 habitantes.

Capital

Hamilton, localizada em Pembroke Parish.

Clima

Ameno. As temperaturas variam entre 17º C no inverno e 26º C no verão.

 

Sistema político

Administração das Bermudas é baseada na constituição adotada em 1968, após a autonomia, dependendo do Reino Unido.

O poder é dividido em Executivo, representado pelo Primeiro-Ministro, Legislativo, representado pelo Parlamento, e Judiciário, representado pelos tribunais.

A Constituição consiste num texto de 96 páginas, adotado em 8 de junho de 1968. Refere-se apenas aos cidadãos das Bermudas e não aos estrangeiros.

O governador, designado pela Coroa britânica, é responsável pelos assuntos externos, segurança interna, defesa e polícia. É aconselhado por um Conselho Executivo sobre outros assuntos. O Conselho Executivo é composto pelo primeiro-ministro (chefe do partido líder do Parlamento) e seis outros membros.

O parlamento é composto por quarenta membros eleitos por cinco anos. As principais organizações políticas são o conservador United Bermuda Party (UBP) e o Partido Trabalhista (PLP), de centro-esquerda.

 

História

A descoberta das Bermudas é atribuída ao navegador espanhol Juan de Bermúdez, que lá naufragou, em 1503. Apesar de regularmente visitadas por navegadores portugueses e espanhóis, os primeiros habitantes só se fixaram em 1609, aquando de outro naufrágio, do barco da Marinha britânica comandado por Sir George Somers. Estabeleceram-se, então, colonos ingleses, passando a designar o arquipélago por Ilhas Somers.

Em 1684, estas ilhas tornaram-se colónia da Coroa Inglesa. Pouco tempo depois, chegaram trabalhadores portugueses, oriundos das ilhas da Madeira e dos Açores, após importação de escravos negros.

Devido à localização geográfica, estas ilhas sempre foram interessantes para os grandes países, como, por exemplo para os Estados Unidos da América durante a Guerra Civil, onde muitos oriundos da Virgínia se refugiaram, e também serviu de prisão por parte do governo britânico durante a Guerra de Boer (1899-1902). Os esquadrões “British North Atlantic” e o “West Indian” serviam-se das ilhas das Bermudas como estação naval no inverno. Entre 1945 e 1995, vários locais das ilhas serviram de bases navais e aéreas para os Estados Unidos da América.

As Bermudas tornaram-se autónomas em 1968, mas em 1995 rejeitaram um referendo que as colocaria como independentes da Grã-Bretanha. A partir de 1990, os negócios internacionais cresceram de forma tal nas Bermudas que se tornaram a atividade económica mais importante.

O United Bermuda Party (UBP) governou nas Bermudas desde 1968 até às eleições legislativas de 1998, altura em que passou a governar o Progressive Labour Party (PLP), chefiado pela primeira mulher primeiro-ministro, Jennifer Smith, que resignou em 2003.

 

Informações gerais

Símbolos nacionais

Os símbolos nacionais são o pássaro cahow, a flor das Bermudas (da família da íris), o cedro das Bermudas e a cebola.

A bandeira é vermelha, com a bandeira do Reino Unido no quadrante superior e o brasão centrado na metade exterior.

O hino é o britânco God Save the Queen.

Moeda

O dólar das Bermudas (BMD) corresponde ao dólar dos Estados Unidos da América, dividido em 100 centavos.

Religião

A principal religião das Bermudas é a Anglicana, com 30% da população, seguida pela Católica Romana.

Idiomas

A língua oficial das Bermudas é o Inglês. No entanto, devido ao grande número de imigrantes de diferentes lugares no mundo, várias outras línguas também são faladas.

Educação/Alfabetização

A educação é gratuita entre os 5 e os 16 anos. Além disso, 98% da população masculina e 99% da população feminina sabem ler e escrever.

Transportes

As vias públicas ocupam uma extensão de 240 km. Existe um serviço naval internacional, bem como um serviço aéreo internacional (Aeroporto Internacional das Bermudas, na paróquia de St. George).

Custo de vida

O custo de vida nas Bermudas é considerada um dos mais altos do mundo. Por exemplo, é 280% maior do que no Canadá ou no Reino Unido, e 380% maior do que nos Estados Unidos.

Economia

A pitoresca paisagem e o clima ameno fazem das Bermudas um grande refúgio para aqueles que apreciam férias de sol e calma. O turismo dá uma contribuição importante para a economia das ilhas. Em 2001, 275 mil turistas visitaram a região.

Na década de 90, no entanto, os negócios internacionais, através da banca e seguros, começaram a dominar a economia.

As fábricas transformadoras, incluindo produtos farmacêuticos, perfumes, extração de minerais e óleos essenciais também dão um contributo significativo para a economia das ilhas.

Apenas uma pequena área das Bermudas é cultivada, com bananas, legumes e flores. As principais importações são alimentos, bens manufaturados e combustíveis.

 

Emigração Açoriana para as Bermudas

A Emigração Açoriana para as Bermudas data da segunda metade do século XIX. O arquipélago tem recebido muitos emigrantes açorianos ao longo dos anos.

A emigração para as Bermudas assume características específicas, no que diz respeito à permanência definitiva dos emigrantes e à sua residência, autorizada apenas por um contrato de trabalho previamente assinado.

Apesar disso, a emigração para as Bermudas foi desde o início uma preferência de muitos açorianos, principalmente micaelenses. Estabeleceram-se na capital Hamilton, trabalhando em áreas como o turismo, restaurantes e jardinagem.

A emigração para este destino tem registado números nunca acima de mil pessoas por ano. No entanto, tendo em conta as características específicas mencionadas anteriormente, pode-se considerar números elevados, sendo até hoje uma escolha preferencial.

À semelhança de outros destinos, os valores da emigração foram mais altos durante os anos 60 e 70 do século XX, diminuindo após esse período. Nos últimos cinco anos, o número médio de emigrantes para as Bermudas, foi de cerca de 128 indivíduos.

Devido às peculiaridades deste tipo de emigração, onde o retorno ao país de origem é obrigatório, a comunidade tem uma escola oficial portuguesa para a cultura e a Língua Portuguesa serem ensinadas, tanto aos filhos dos Emigrantes temporários como às crianças que já nasceram lá.

A Comunidade Açoriana nas Bermudas também promove atividades associativas, media, e a manutenção da identidade cultural Açoriana. A estada temporária nas Bermudas não impede a Comunidade Açoriana de viver sua própria cultura.